Arquivos Mensais: Janeiro 2009

VIDA ACELERA GRAFICA

Será verdade, como escreveu o romancista Cees Nooteboom, que «a memória é como um cão que se deita onde quer»? Para onde foram os longos verões preguiçosos da nossa infância? Porque é que, à medida que envelhecemos, o tempo parece condensar-se, acelerar, iludir-nos, enquanto os eventos significativos do nosso passado parecem tão reais e nítidos como os de ontem? Neste livro, Douwe Draaisma, autor de Metáforas da Memória, explora a natureza da memória autobiográfica. Recorrendo a uma sensibilidade que é tanto académica como poética, e a uma observação atenta, aborda fenómenos extraordinários, como o déjà-vu, experiências de quase-morte, as proezas dos que sofrem de síndrome de Savant e os efeitos do trauma extremo sobre a memória.

 «Tal como Oliver Sacks, Draaisma tem a habilidade de comunicar, de divertir com os prodígios da mente nesta exploração da memória autobiográfica. É um prazer ler capítulos sobre o déjà-vu, o síndrome de Savant, traumas e primeiras e últimas recordações, que oferecem uma perspectiva nova e convincente de como e porque é que nos lembramos.» Sue Baker, Publishing News

Douwe Draaisma é professor de História de Psicologia na Universidade de Groningen, na Holanda. É autor, entre outras obras, de Metáforas da Memória (1993). A edição original neerlandesa de Porque É Que a Vida Acelera à Medida Que Se Envelhece (2001), recebeu vários prémios científicos e literários.

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Juan José Millás deslocou-se de Valência para Madrid com seis anos. Uma mudança que significou abandonar a luz e o calor do Mediterrâneo, para se instalar numa zona suburbana e obscura da capital, um marco fundamental da sua vida. A rua Canillas, naqueles tempos de casas baixas e escombros, é o cenário da infância e da adolescência de Millás, um cenário que transporta o leitor para o ambiente do pós-guerra, desvendando-se os segredos, as aventuras, os desejos e as esperanças do protagonista. Um amigo condenado a morrer, O primeiro amor, Um vizinho espião, O pai e a mãe, naquela rua tudo ganha uma dimensão diferente, as coisas adquirem uma qualidade mágica. Onde acaba a memória e começa a ficção? Esta é a realidade de um mundo, transformada em universo literário, uma autobiografia ficcionada- um livro imprescindível, belo e assombroso sobre o inevitável ofício de crescer.

Juan José Millás (Valência, 1946): Cedo muda para Madrid onde passará a maior parte da sua vida. Frequentou o curso de Filosofia e Letras, que veio a abandonar, desiludido com as limitações franquistas, dedicando-se a uma carreira administrativa que lhe proporcionasse tempo para escrever. É autor de romances como A Desordem do teu Nome, Assim Era a Solidão, Duas Mulheres em Praga e Laura e Júlio, entre outras, que o consagraram como um dos grandes escritores da actualidade. Desde as suas primeiras publicações, foi reconhecido pelo público e pela crítica, destacando-se os prémios Sésamo, Nadal e Primavera. A sua obra narrativa está traduzida em vinte e três línguas. É já na maturidade que Juan José Millás se dedica ao jornalismo. Cronista regular do diário El País, autor de reportagens e artigos em vários jornais, a sua prosa jornalística, várias vezes premiada, criou tantos apaixonados como a sua literatura. Numa escrita sempre psicanalítica e profunda, mas também viva na criação de ambientes, o autor criou uma obra ímpar, galardoada com o Prémio Planeta 2007 e o Prémio Nacional da Narrativa 2008. O Mundo chega agora aos leitores portugueses.

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Nascido na cave da Pembroke Books, uma livraria da Boston dos anos 60, Firmin aprendeu a ler devorando as páginas de um livro. Mas uma ratazana culta é uma ratazana solitária. Marginalizado pela família, procura a amizade do seu herói, o livreiro, e de um escritor fracassado. À medida que Firmin desenvolve uma fome insaciável pelos livros, a sua emoção e os seus medos tornam-se humanos. É uma alma delicada presa num corpo de ratazana e essa é a sua tragédia. Num estilo ora sarcástico ora enternecedor, Firmin é uma história sobre a condição humana em que a paixão pela literatura, a solidão e a amizade, a imaginação e a realidade, fazem parte de um mundo que acarinhava os seus cinemas de reprise, os seus personagens únicos e a glória amarelada das suas livrarias. Firmin é divertido e trágico. Como todos nós. 

Sam Savage: Natural da Carolina do Sul, Sam Savage fez a sua licenciatura e o seu doutoramento em Filosofia na Universidade de Yale, onde leccionou por um breve período. Abandonou a docência para se dedicar a outras actividades. Trabalhou como mecânico de bicicletas, carpinteiro, pescador e impressor tipográfico. Aos 65 anos, estreia-se com Firmin, uma obra original e carismática que alcançou rapidamente um enorme sucesso nos Estados Unidos da América, Espanha, Brasil e Itália, tornando-se um símbolo da paixão pela literatura. Firmin, a sua primeira novela, foi publicada por uma pequena editora de Minneapolis, fora dos grandes circuitos editorias de distribuição o que não impediu o seu grande sucesso, consequência das recomendações de leitores e livreiros.

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Neste livro lança-se um olhar sério sobre o presente e o futuro próximo em tempos dominados pela incerteza e pela crise. O colapso bancário na América atingiu num ápice a Europa. Portugueses combatem no Afeganistão, onde a NATO está a perder a guerra. O petróleo subiu e desceu 100 dólares em poucos meses. Raramente a eleição de um Presidente
Americano alimentou tantas esperanças e suscitou tanta atenção. Entretanto, Obama formou uma equipa governativa em tempo nunca visto e concebeu medidas detalhadas para apoiar as famílias e a economia, do mesmo modo que definiu estratégias para o Afeganistão, mas também o Paquistão ― a nova base da Al-Qaeda.
Carlos Santos: Professor de Economia na Universidade Católica (Porto). Doutorado em Economia pela Universidade de Oxford. Trabalhou como investigador no Banco Central Europeu. Deu aulas em Oxford, em Maastricht e na Universidade do Porto. Como comentador, colabora regularmente com SIC N, RTP N, Rádio Clube Português, TSF e Antena 1. Publica regularmente artigos de opinião no Jornal de Negócios, no Público e nos semanários Sol e Expresso.

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Raymond Aron é o autor da obra mais importante até hoje publicada sobre o pensamento de Clausewitz, a saber: Penser la Guerre ― Clausewitz (Paris, Gallimard, 1976, 2 volumes, 848 pp). Verdadeiro monumento de erudição e profundo virtuosismo na análise do fascinante sistema conceptual clausewitziano, esta obra, extensa e complexa, exige, da parte do leitor, mesmo que admirador de Clausewitz, um esforço e uma disponibilidade que estarão ao alcance de poucos. Em contrapartida, o livro que agora se publica ― colectânea de textos que Aron escreveu entre 1972 e 1980 ― tem a dupla vantagem da clareza (fácil de ler) e da síntese (encontramos em 160 pp, resumidas ao essencial, as ideias que se apresentam desenvolvidamente nas 848 pp do Penser la Guerre). Para além das vertentes fundamentais do pensamento de Clausewitz ― acerca da guerra, da política, da estratégia… ―, este livro oferece-nos uma interpretação brilhante dos principais conflitos da segunda metade do século XX ― crise de Cuba, guerra israelo-árabe, equilíbrio do terror, guerra da Coreia… ― à luz do método clausewitziano. Como só Raymond Aron conseguiria fazer! 

TÍTULOS DOS CAPÍTULOS: Clausewitz, estrategista e patriota • Clausewitz e a guerra popular • Sentimentos e entendimento no pensamento de Clausewitz • Clausewitz e a concepção do Estado • A sociedade dos Estados e a guerra • Os Estados, as suas alianças e os seus conflitos • Sobre a expressão «Estratégia política».

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Este 2º volume que dá continuação à obra A Year in the MerdeUm Ano em França, que vendeu em Portugal mais de 4.000 exemplares.

“[...] Clarke satiriza a arrogância dos franceses, a afectação dos britânicos e a ingenuidade dos francófilos com o mesmo entusiasmo. [...] Ele escreve não para condenar os franceses mas para os celebrar.” Booklist

“Stephen Clarke disseca o modo de vida dos franceses. Hilariante, de morrer a rir.” Madame

“Muito divertido (…) Clarke tem um olho de lince para os pormenores.” Washington Post

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Um romance ficcionado a partir de textos bíblicos, sobre uma das figuras mais intrigantes e controversas do Novo Testamento e “pai da igreja Católica”.

“Espirituosa e chocante, a voz de Paulo ouve-se para lá da ficção, apelando a um amor fundamental a Jesus.” Library Journal

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O despertar intelectual de Stephen Dedalus, o mais importante, complexo e memorável jovem herói da literatura universal. A posição de James Joyce no panorama da ficção contemporânea é, tal como a de Marcel Proust, de iniciador de caminhos, ao mesmo tempo que lhe cabe a responsabilidade de liquidatário do sentido tradicional do romance europeu. Se Retrato do Artista Quando Jovem é apenas o trânsito para a desmesura do Ulisses e também o trânsito necessário para Finnegans Wake, a verdade é que representa um dos volantes do tríptico fundamental da obra de Joyce.

A história de um jovem irlandês, educado pelos jesuítas, aparece aqui em todos os seus múltiplos módulos. Inteligente, brilhante, os jesuítas tentam conduzi-lo para os seus quadros, mas o jovem Estêvão Dedalus resiste ao apelo, cortando violentamente com a sua juventude para vir a encontrar-se perante a necessidade do exílio como única possibilidade de afirmação total e livre.

Esta palavra liberdade, tantas vezes repetida pelo jovem Estêvão Dedalus, apela para uma outra fundamental no percurso do jovem romancista: o exílio. É este binómio a chave de algumas posições míticas do tríptico constituído por Retrato do Artista Quando Jovem, Ulisses e Finnegans Wake.

Alfredo Margarido

 «Mais bela é a desmesura ao pé da não menos bela contemplação de um relato seguindo um fio de lembranças. Se é um facto que Retrato do Artista Quando Jovem preludia em Joyce a imensidão fértil de Ulisses, a perspectiva de quem lê, por seu lado, traduz-se numa atenção não necessariamente progressiva na ordem cronológica das obras, implicando no leitor um florescimento particular da obra de um autor.»

Independente

James Joyce Nascido em 1882 em Dublin, na Irlanda, onde as más condições financeiras da família lhe proporcionam uma infância movimentada, James Joyce é educado por Jesuítas, com quem adquire uma sólida cultura clássica e aprende diversas línguas estrangeiras. Na adolescência, desinteressa-se da política e afasta-se do catolicismo. Estuda Medicina, primeiro em Dublin, depois em Paris, volta à Irlanda e torna-se professor. Casa em 1907 e vai com a mulher para Zurique e mais tarde para Trieste, onde se fixa. Regressa a Dublin para a publicação de Gente de Dublin, que publicou à sua custa, mas cuja edição é inteiramente queimada por um comprador. Aborrecido com o seu país natal, Joyce expatria-se definitivamente em 1912. Vive em Trieste, em Roma e em Paris, onde passa 20 anos consecutivos, e morre em Zurique em 1944. Inicialmente muito discutida, a sua obra – caracterizada pela utilização sistemática do monólogo interior – exerceu uma influência preponderante no romance contemporâneo.

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… Segundo Paulinho Assunção (escritor brasileiro):

«Você pode imaginar uma esquina do mundo onde Ondjaki encontra Manoel de Barros, Luandino Vieira, Guimarães Rosa, Adélia Prado, Raduan Nassar. […] Você também pode imaginar o que eu imagino ao ler este novo livro de Ondjaki. É um livro que tem um jeito de apalpar a língua como quem apalpa o dorso de um rio. Ou tem um jeito de escrever as palavras da língua como quem rumoreja sussurros para não assustá-las. E acho que o Ondjaki não tem medo de trazer para o seu livro os seus afetos todos literários. E faz bem o Ondjaki não ter medo disso porque é uma coisa muito bocó a gente esconder os afetos & as dívidas & os tributos aos que, também, como Ondjaki, gostam e gostaram de apalpar a polpa da língua como quem apalpa o dorso de uma fruta.»

Ondjaki nasceu em Luanda, em 1977. Prosador. Às vezes poeta. Co-realizou o filme sobre Luanda (Oxalá cresçam pitangas, 2006). É membro da União dos Escritores Angolanos. Está traduzido em francês, espanhol, italiano, alemão, inglês e chinês. Recebeu o Grinzane for Africa 2008 pelo conjunto da sua obra.