Uma vida contada através das treze casas a que Leonor Xavier chamou suas. O tema é tanto mais interessante quanto a autora viveu nessas casas experiências marcantes, não só para ela, mas para toda uma geração. Oriunda de uma família da média-alta burguesia, casada cedo com um jurista brilhante, com três filhos pequenos, passa do ambiente protegido de uma família tradicional numa casa da Lapa, para São Paulo, no Brasil, quando, em 1975, ela e o marido decidem começar uma nova vida fora de Portugal. A experiência – que foi certamente vivida por muitos portugueses que abandonaram Portugal nos anos 70 – é muito bem narrada no livro. Tudo é novo: a situação precária em que chegam, os trabalhos ocasionais, a nova escola dos filhos, a empregada brasileira, a solidariedade dos amigos que conhecem no Brasil, a língua diferente, os costumes muito mais livres. Mais tarde, o regresso a Portugal, a adaptação ao país diferente que vem encontrar, o recomeçar de novo,integrando na sua nova vida o espírito optimista, sem preconceitos e convivial que foi talvez, para além dos muitos amigos, o que de melhor lhe ficou da experiência brasileira. Numa escrita colorida e muito pessoal, Leonor Xavier dá-nos o retrato de dois mundos muito diversos que ela conseguiu conciliar como ninguém.
Leonor Xavier é licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Viveu no Brasil entre 1975 e 1987. Jornalista, foi correspondentedo Diário de Notícias no Rio deJaneiro e redactora da revista Máxima. É autora das biografias Maria Barroso, Um Olhar sobre a Vida (1995) e Raul Solnado, A Vida Não Se Perdeu (2003), dos romances Ponte-Aérea (1983), O Ano da Travessia (1994) e Botafogo (2004). É co-autora do romance Treze Gotas ao Deitar (2009). Publicou ainda o livro de entrevistas Falar de Viver (1986), o ensaio Portugal, Tempo de Paixão (2000), sobre o processo revolucionário de 1975 e o livro de crónicas Colorido a Preto e Branco (2001).
